domingo, 20 de abril de 2014

Top 5 - Itália

Todas as vezes que viajo prometo escrever sobre todas as dicas, passeios imperdíveis e comidas maravilhosas que experimentei. Da Itália falei pouco. Não por falta de belezas ou atrativos. Muito pelo contrário. A Itália é meu berço, minha segunda pátria. Trago no sangue as heranças de lá. Cada passo naquela terra teve significado mais do que especial. Por que, então, não escrevi muito? Sei lá! Talvez por não ter tido tempo, talvez por ter visto coisas demais. Resolvi então me redimir e destacar as melhores 5 experiências da Itália para dar ainda mais gostinho a quem estiver indo para lá ou, simplesmente, a quem queira conhecer um pouquinho mais.

Pietà, Michelangelo
# 5 - As obras de arte -  Pietà e David de Michelangelo, e a Última Ceia de Leonardo da Vinci. Não há como não ficar maravilhado com elas. O problema é que você precisa percorrer boa parte do país para conseguir ver estas três. a Pietà fica dentro da Basílica de San Pietro, no Vaticano. O acesso a ela é tão simples que surpreende. Chegamos a duvidar se é ela mesmo. Fica ali humilde, em um cantinho da igreja, recatada, quase passando despercebida a olhos menos atentos. O David, ao contrário, mostra-se imponente, gigantesco e com uma precisão anatômica que fica fácil esquecer que é todo feito de pedra. Tem um realismo que impressiona. Mas não se engane! O verdadeiro David fica dentro da Galleria dell"Academia e não em praça pública como muitos pensam. Há sim uma réplica lá, mas apenas para lembrar onde ficava originalmente a estátua quando foi feita. Para admirá-la, terá que ir à Florença. Por lá também vale a pena visitar na Galleria degli Uffizi os quadros Nascimento da Vênus e A Primavera, ambos de Botticelli. E por último, mas não menos importante, a Última Ceia de Leonardo da Vinci. Espetacular! Fica em Milão e para vê-la é necessário ter muita antecedência, já que os ingressos para visitação encerram-se, em média, 2 meses antes da própria visita. Vale a pena se programar para comprar pela internet, caso contrário não será possível chegar até lá.
Davi de Michelangelo
# 4 - Os trens - viajar pela Itália é, sem dúvida, muito mais fácil de trem. Estacionar nas suas ruas estreitas não é tarefa muito fácil e além disso você não precisa se preocupar em localizar estradas e cidades. Assim como em muitos outros países da Europa, a malha ferroviária italiana é admirável. Há trens em vários horários, muitos deles com cara de metrô (e até com integração para eles!) e as passagens são relativamente baratas. Para os trechos mais extensos é interessante comprar antecipadamente pela internet. Já para viagens mais curtinhas há uma infinidade de máquinas nas estações onde você compra o bilhete por conta própria. A maioria dos trens têm banheiro e alguns, os frecciargento e frecciarosso, têm também acesso à internet por um preço quase simbólico pelo período de 24 horas. 
# 3 - Comida - se você está de dieta e vai viajar para a Itália, desista! Não da viagem, mas da dieta! Eu sou fã assumida de massas, mas este prato lá se eleva a outro patamar. Muitas pessoas me disseram que as porções não eram generosas e o cozimento deixava a desejar. O macarrão aldente seria quase um "quebra dente". Mas as minhas experiências gastronômicas na Itália apenas confirmaram o que eu já sabia. Eles seguem várias etapas nas refeições e as quantidades são substanciais. O sabor é divino e eles fazem jus ao título de "inventores" dessa brincadeira. Mangia che ti fa bene... literalmente!
cioccolato e pistacchio
# 2 - Gelato - embora também seja de comer, o sorvete italiano merece um lugar de destaque. É tão gostoso que mesmo no inverno se toma todos os dias. Os meus favoritos são os de chocolate e o de pistache. Chocolate está no plural porque há uma boa variedade de sabores à base dele. A cremosidade do sorvete é inacreditável. Outra coisa curiosa é que sempre são servidos dois sabores ou mais, due gusti, como eles falam. Nunca é uma única bola. Além disso, não utilizam concha para servir, mas pás, assim batem o sorvete antes de colocar na casquinha tornando-o ainda mais cremoso. Experimentei em todas as cidades que visitei e em todas foi espetacular!
Vista de Assis
# 1 - Assis - a cidade de São Francisco de Assis é para mim o número 1 da Itália. Independente de crença ou religião o lugar é mágico, lindo, especial. É fácil chegar lá de trem indo de Roma. Dá para ir e voltar no mesmo dia. Há uma boa estrutura para o turista com bons restaurantes e algumas pousadas. É toda medieval, com paredes de pedra e uma atmosfera de harmonia muito convidativa. Vale a pena conhecer. Estando na Itália é destino obrigatório. Foi o lugar onde mais tirei fotos! Se der a sorte do céu estar azul, fica perfeito!  

É isso. Falar da Itália é "chover no molhado" mas eu não podia deixar de registrar estas impressões... mesmo que muito tempo depois!
Nascimento da Vênus, Botticelli

Ps1: A ordem dos tópicos não é por importância. Eu não colocaria o sorvete mais importante que as obras de arte! É pelo fato desse ser muito mais acessível e agradar a todos os públicos.
Ps2: Os inventores do macarrão foram os chineses, mas os italianos, sem dúvida, aperfeiçoaram e popularizaram, por isso a citação.

Até mais.

Mudanças em curso!

Nesta Páscoa desejo aos meus amigos que o sentido de renovação não se perca no dia seguinte.
Desejo ainda que entre chocolates e presentes não possam esquecer que se o dia é de celebração, a razão da festa não pode passar em branco. Desejo ao mundo mais tolerância, generosidade, partilha e amor.
Nesta Páscoa quero que a passagem da morte para a vida seja sentida no menor dos gestos. No abraço, nas palavras, na simples escolha de fazer o bem.  Que "vida nova" não seja apenas modo de falar.
Espero que o momento de descanso sirva como tempo de reflexão e não apenas de comemoração. Desejo que os erros do passado não venham fazer visita e não sirvam de referência para os atos futuros. Mais discernimento no pensar, mais cautela no agir. Mais gentileza no trato com o outro e menos necessidade de dar sempre a opinião. Na maior parte das vezes as pessoas só precisam ser ouvidas... com atenção!
Desejo, nesta Páscoa, que a serenidade faça parte de todos os dias trazendo consigo a habilidade de conviver. Escute mais, fale menos. Sorria mais, assim terá menos motivos para reclamar. Ao invés de criticar, apenas agradeça.
Independente de crença, desejo que o seu Deus faça morada em seu coração. Que o sacrifício sofrido sirva de exemplo real para uma mudança de vida. Que Cristo renasça em nós e nos permita agradecer sempre pela oportunidade de aprender.

Que possamos viver uma eterna Páscoa...

Feliz Renovação

Até mais!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Envelheço na cidade II

Estou em fase de reavaliação! Já disse isso no texto anterior com o mesmo título. Fazer quarenta anos não é para qualquer um. Aliás, é um injustiça a desvalorização que nós humanos fazemos da nossa idade. Se uma empresa faz 40 anos de existência isso é motivo de comemoração. Demonstra solidez, confiabilidade. Por que será, então, que em se tratando de pessoas a mesma idade passa a ser sinônimo de velhice?
Pois eu estou vivendo a máxima de que a vida começa aos quarenta. Reservei este tempo para mudar o que não funciona mais. É engraçado como uma simples alteração no calendário faz uma reviravolta na cabeça.
E a sensação que eu tenho é de que isto ainda vai durar. Não é como em todos os aniversários, que o dia é especial e ponto, no dia seguinte tudo volta ao normal. Desta vez tudo está diferente! Estou com a sensação de mudanças em curso há mais de um mês! Na verdade cada vez que escrevo em algum lugar a minha idade eu sinto um "pesinho". Arriscaria até a dizer que os 41 serão mais fáceis.
Não sou a pessoa "mais diferente" do mundo, mas sou "mais diferente" do que muitas pessoas que conheço. E em se tratando de idade, minha crise não foi com a proximidade dos 40, mas acredite, dos 25. Eu me lembro como foi difícil e pesado na minha cabeça fazer essa idade. Em parte, talvez, porque já havia me conscientizado de que era adulta e tinha entrado em um processo de ida sem volta, mas também porque naquela ocasião minha vida precisava mesmo de muitas mudanças. De um jeito ou de outro, aquela idade foi mais difícil que a de agora. Fazer quarenta anos, por sua vez, me deu o aval para uma série de coisas. Uma delas é me permitir ser mais ridícula - ou menos autocensurada! - que antes. Não estou falando de sair por aí de forma inadequada, seja na vestimenta ou comportamento, estou falando de não me proibir ou me tolher o tempo todo, como fiz muitas vezes. Não vou ser apedrejada se alguém me vir com o esmalte descascando ou se meu cabelo estiver mostrando algumas raízes brancas. Quero estar bem fisicamente por uma questão de saúde, muito mais do que de estética. Roupas servem para embelezar o corpo e disfarçar o que não está bom! Cada vez mais falo o que penso ao mesmo tempo que me calo quando convém. Estou aprendendo, a duras penas, a guardar meus pensamentos para mim, pois expô-los me trará mais descontentamento do que guardá-los. Talvez esta seja a maior conquista que tive aos quarenta: a capacidade de ficar quieta!
Estou aprendendo também aos quarenta que minha carreira profissional já está quase encerrando e que isso não me causa qualquer desconforto. Venho trazendo minha contribuição da melhor maneira que posso e deixando meu legado a quem quiser aproveitá-lo. Devemos não perder de vista que assim como todas as coisas, nós também temos prazo de validade no trabalho. Minha mãe se aposentou assim que foi permitido a ela e sempre falou que devemos saber a hora de sair de cena. O mundo não vai parar se faltarmos em algum momento. Portanto, encerrando os trabalhos em breve e investindo em novos rumos... sejam eles profissionais ou não. Sempre tive uma boa capacidade de mudar e isso é fantástico. Agora não é diferente. Muda a idade, mudam as ideias. Estou pronta para começar.
E se isto servir de inspiração para alguém, que se aproprie e siga em frente!

"Se a palavra vale prata, o silêncio vale ouro!"

Até breve!



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Retrato ou Paisagem

O cenário é uma cidade pequena. Os personagens, muita gente de todos os tipos e lugares. Gente interessante, descolada, muito diferente das minhas companhias habituais (não que as minhas pessoas de todo dia não sejam interessantes, mas essas, sem dúvida, são de um tipo diferente de gente!). Gente acima do bem e do mal. As estrelas, todos os modelos de câmeras fotográficas que nos é permitido imaginar. Assim foi o festival de fotografia de Tiradentes. Sim, fui para lá mais uma vez. Precisamente a sétima nos últimos 3 anos. No ano passado também estive presente ao evento, mas sem dúvida desta vez de forma muito mais significativa. Não, eu não enveredei pelo mundo maravilhoso da fotografia, apenas acompanhei meu amado, fotógrafo nas horas vagas. O festival é uma mistura muito feliz de gente alternativa, com uma cabeça completamente fora do convencional, uma paisagem deslumbrante e muitas atividades interessantes. Impossível não se deixar envolver! Fareja-se cultura em todos os cantos. Diferente dos turistas de todo feriado, a cidade fica povoada por intelectuais, artistas, pessoas que deixam sua marca no mundo seja por meio de um livro, de uma imagem, de uma fala imortalizada. Embora não faça parte do universo em si me sinto absolutamente em casa. Ou quase. Não é possível transitar por um evento como esse e achar tudo normal. Não é. O normal não me transmite boa coisa. Normal vem de norma, de coisa padrão. Nada naquele festival é normal. Tudo é mesmo muito diferente. Os sotaques, as roupas, as ideias compartilhadas. Mas os participantes não são assim tão imunes ao mundo real. Existe um tanto de vaidade em exibir o último modelo de câmera ou, para os mais "cult" os modelos mais antigos em funcionamento. E tem exposição na praça, impressão em madeira, artistas tentando se tornar conhecidos, ou apenas compartilhar sua arte. Tem loja de livros, palestras e atividades ao ar livre. Pelas ladeiras da velha cidade sobem e descem, sem pressa, os protagonistas da festa. E não se furtam, em sua caminhada, de parar para clicar os mais belos cenários. Momentos de conhecimento, de alegria e partilha. Foi o que vivi nesse último final de semana. 
Em um dos estados mais generosos desse nosso país, estar em Minas Gerais é sempre motivo de confraternização e resgate dos costumes mais genuínos do nosso povo. Os sorrisos são constantes, as conversas carregadas de regionalismo, os melhores encontros são em torno da boa mesa. Tudo isso se encontra por lá. E desta vez, como que inacreditável após tantas visitas, ainda tive oportunidade de conhecer dois lugares muito especiais que recomendo: Um é a "Pizzaria Seu Barthô". Fica pertinho do chafariz e é bem fácil de achar. A pizza de lá é divina e o atendimento tem o jeitinho mineiro de ser, embora seja uma pizzaria à moda paulista. E o outro lugar é o "Tragaluz Restaurante Casa". Mas esse, de gastronomia fina, exige que se faça reserva. Não por uma regra local, mas porque frequentemente há fila na porta. O lugar é um convite ao bem viver. Desde a decoração, de mobiliário rústico e visivelmente antigo, até a mistura de penumbra e nostalgia, com profissionais bem treinados e totalmente antenados com as tendências. Alguns usam "piercings" e tatuagens. O cardápio é uma atração a parte! Feito em forma de cordel e todo manuscrito mistura pratos, histórias e recadinhos deixados por gente famosa que andou por la. Terá que desembolsar um pouco mais de dinheiro, mas vale cada centavo gasto. Estando lá sugiro o risoto de arroz negro com surubim defumado e abobrinha italiana. Espetacular. E nós mulheres ainda recebemos um "mimo" na saída. Um alfinete com a pomba do Espírito Santo. Fofo!

Bem, comecei falando de uma coisa e terminei falando de outra, como é o meu perfil! Tudo bem, a vida é uma mistura de coisas mesmo. E se elas forem tão deliciosas quanto foi o meu fim de semana, não tem o que dizer...

Impecável!

Até mais.

sábado, 22 de março de 2014

Inveja branca. Branca?

Admiração e inveja. Há uma linha tênue entre elas. Normalmente classificamos o invejoso como uma pessoa da pior espécie por ter um sentimento da pior espécie. Mas a verdade é que ninguém inveja aquilo que não admira. Portanto, há em todo invejoso algum sentimento bom. Diria até que esta é uma admiração que foi pro lado errado. 
Não me considero uma pessoa muito invejosa. E nem digo isso para fugir do julgamento. Digo porque talvez me contente com o que tenho. Ou quase!
Admiro muitas coisas e pessoas por aí. Nem sempre falo, mas com frequência me pego observando as cenas da vida. Atualmente, porém, tenho sentido inveja. Não me envergonho de dizer. E a minha inveja é tão boba que causa espanto a mim mesma. Boba porque não se trata de algo que eu não possa ter. Boba porque só depende de mim. Boba porque foi meu problema a vida inteira.
Tenho sentido inveja de quem consegue fazer o que se propõe. Inveja de quem não tem preguiça, de quem se sacrifica por bons resultados e pode, no fim, comemorá-los. Estou sentindo inveja de quem tem força de vontade independente daquilo o puxa para baixo. Por que será que eu não consigo fazer as coisas acontecerem para mim? Sempre fui desse jeito. Se há outras pessoas envolvidas sou extremamente comprometida. Mas se é só comigo, se não devo satisfação a ninguém, eu esmoreço. E era assim na escola, é assim na academia ou na dieta, é assim com dinheiro. Sou incapaz de desmarcar um encontro com amigas, a menos que algo realmente tenha acontecido. Não falto ao trabalho. Exerço minha função, entrego documentos que me são pedidos, mas se o assunto em questão só diz respeito a mim, se apenas eu vou me prejudicar caso não dê certo, eu deixo para lá. Por que eu me julgo menos importante para mim mesma do que considero os outros? Autoestima? Amor próprio? Não sei. O que sei é que sinto inveja dos disciplinados. Daqueles que se mantêm firmes. Não sou firme. Desisto. E depois sofro com isso. Não devia ser assim. Se eu simplesmente não ligasse isso não seria um problema para mim, mas eu ligo.
Sou desapegada das coisas, o que é interessante se você sofre quando estraga ou perde alguma coisa. Também não sou competitiva. Pelo menos não ao extremo. Mas se pensar no lado negativo do desapego acabo desvalorizando demais aquilo que necessita da minha mudança de comportamento para acontecer. Decido que não é importante e mudo o rumo. Simples assim. Mas aí, quando vejo que o outro persistiu e foi além sinto inveja. Sei que não sou a única. Assim como não acredito que alguma inveja pode ser branca ou rosa. Inveja é inveja e ponto. É um sentimento de impotência diante do sucesso alheio. Não importa qual sucesso seja.
Por isso quero ser menos preguiçosa, dar mais importância ao que é só meu, ter mais atitude e menos desculpas. Quero não desistir na primeira por achar que não vale a pena ir além. Sei que preciso de ajuda. Preciso de vigilância e incentivo pelo menos para começar... e para terminar também!
Alguém se habilita?

Até o fim do caminho...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Montanha Russa

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras."
Poucas coisas são tão verdadeiras quanto a oração da serenidade. Ela está presente em diversos lugares  e serve para nos lembrar que é necessário compreender que as coisas acontecem a despeito da nossa vontade. Ela é sábia porque a partir do momento que aprendemos a conviver com as adversidades sem nos entregar a elas, tornamos a nossa vida infinitamente mais fácil. Há coisas nas quais podemos interferir. Há coisas que dependem exclusivamente da nossa espera. Identificá-las não é fácil, mas uma vez que conseguimos, a situação toma outro rumo. A angústia, porém, parece ser o sentimento mais evidente nessas horas. Tanto para agir quanto para esperar, é angustiante atravessar uma "tempestade".
Quando nos permitimos parar e apenas contemplar os mandos e desmandos da vida, conseguimos canalizar nossa energia para outras coisas. Não é fácil ver a própria vida através de uma tela sem poder interferir nela. Não é fácil também tomar atitudes que causam medo, insegurança, incerteza. Em um caso ou em outro, a sugestão é simplesmente deixar acontecer.
Viver um dia de cada vez é a atitude mais acertada. É um absurdo nos deixarmos levar por coisas se só acontecerão muito depois do "agora" porque o "agora" é tudo que temos.
Manter o foco em coisas que podemos interferir é a melhor forma de levar essa vidinha louca com a qual fomos presenteados. É como uma montanha russa. A adrenalina é constante, o ritmo alucinante que rege os nossos dias vai acabando pouco a pouco com o nosso organismo. Nunca se viu tantas pessoas jovens sofrendo com problemas que só apareciam com o avanço da idade. Ainda sobre os trilhos vamos tentando descobrir o que virá depois da curva, como se fosse possível viver antecipadamente para escolher a melhor decisão a tomar. Ascensão e queda estão presentes o tempo todo. E, assim como no brinquedo radical, quanto mais surpreendidos, maior o susto. É sempre desse jeito. Quando a vida entra em uma reta e nos acostumamos com ela, logo vem um solavanco para nos sacudir. E aí entramos em um "looping" que da mesma forma que na montanha russa, parece nunca ter fim. Quando ele passa temos a sensação de que supervalorizamos o que aconteceu já que, depois de tudo, sobrevivemos.
De uma forma ou de outra o que fazemos entre uma curva e outra é que dá sentido à vida. No carrinho vamos colocando e retirando pessoas que conhecemos, que perdemos contato, que decidimos não mais ficar perto. O que vale é a viagem. O fim, ninguém quer, mas uma hora ele chega. Enquanto isso, vamos curtindo. Braços para o alto, gritos, risadas e uma pausa para relaxar.
De qualquer modo, vale a pena cada minuto.

Boa viagem!

Até a próxima.

sábado, 8 de março de 2014

Manual de bem-viver!

Aposto que o que te atraiu a ler este texto foi o nome "manual". Com a nossa (cada vez maior!) vontade de não ter que pensar, ter um manual que nos indique exatamente o que fazer é tudo o que queremos. Entretanto, seguidamente ao título, o primeiro parágrafo é aquele que vende o texto. E nele que você decide se vai ou não continuar lendo.
...
Ainda está aí? Então vamos ao que interessa porque isso não é uma pegadinha!
1 - Acorde cedo com frequência. Mais cedo do que você consideraria bom. Assim você terá mais tempo e
a agradável sensação de que seu dia está rendendo. Isso causa bem-estar.
2 - Acorde tarde uma vez ou outra. Tão importante quanto fazer o tempo render  é deixar simplesmente ele passar livre e despretensioso. Não temos que ser produtivos sempre!
3 - Coma coisas saudáveis a maior parte do tempo. De vez em quando se entregue ao prazer de um bom brigadeiro, pizza ou refrigerante (ou tudo junto!). Seu organismo não vai ter um colapso por conta de uns excessos eventuais.
4 - Aproxime-se de pessoas que te fazem bem, que torcem pela sua felicidade. Amigos não são só aqueles que te amparam na dor, mas o que comemoram a sua alegria.
5 - Afaste-se de todos que te colocam para baixo. Seja no trabalho, no clube, na internet. Nós não precisamos de gente negativa. Já chega todo tipo de problemas pelos quais temos que passar na vida. Pode parecer "piegas" mas é verdade. Gente colorida é muito mais interessante!
6 - Fuja de discussões inúteis. Você não vai convencer o outro a mudar e, dependendo do assunto, vai sentir seu coração bater mais rápido, um calor incômodo percorrer seu corpo e isso não pode fazer bem!
7 - Acredite em Deus. Ou em Buda, Maomé, Anjos, Santos ou Orixás! Dá um enorme conforto entregar
seus problemas a quem pode realmente resolver. Frequente grupos que falem sobre o assunto, como cultos, missas, reuniões.
8 - Tenha contato com crianças e entre no faz-de-conta delas. Sair momentaneamente da dura realidade do dia-a-dia faz um bem terrível!
9 - Veja e leia menos jornal. Cerca de 90% das tragédias e histórias absurdas que você toma ciência não alteram em nada a sua vida. Uma certa alienação voluntária é necessária para acordarmos esperançosos todos os dias. Os jornais matam a nossa capacidade de acreditar em dias melhores!
10 - Faça uma atividade física. Dê preferência a alguma que seja prazerosa. Caso contrário abandonará na primeira oportunidade.
11 - Comprometa-se. Vale qualquer coisa! Uma dieta, um orfanato ou asilo, uma família que precisa de ajuda, um amigo ou uma causa.
12 - Aprofunde-se nas coisas. Envolva-se sem medo de se arrepender. A superficialidade com que vivemos hoje em dia é espantosa.
13 - Encontre-se periodicamente com amigos. Eles nos fazem rir, resgatam quem nós éramos em outras épocas e são implacáveis ao lembrar dos nossos momentos mais "podres". Isso rende boas histórias.
14 - Chore mais e ria mais. Conte histórias, teste sua memória. Relembre fatos agradáveis e sinta novamente as sensações que experimentou naqueles momentos.
15 - Veja fotografias. Tente se lembrar de todas as pessoas e lugares que aparecem nelas. Compartilhe suas sensações.
16 - Ouça com atenção. Desabafe sempre que necessário. Troque informações.
17 - Viva intensamente. Esteja aqui e agora. Aproveite cada minuto. O que for bom, guarde.
18 - Descarte o que você não usar mais. Dê o destino adequado para cada coisa. Jogue fora objetos quebrados, velhos, sem utilidade, sentimentos ruins, lembranças tristes. Doe tudo que puder ser aproveitado por outras pessoas.
19 - Dance e cante. Não importa de que maneira e para qual plateia. Apenas sinta a música e se manifeste.
20 - Saia. Veja a vida do lado de fora. Após ler isso combine um passeio legal, uma voltinha na rua, qualquer coisa que te faça feliz...

... Inspire-se!

Até a próxima.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Esse ano não vai ser igual...

Recomeços são bem-vindos e necessários. Pequenos, grandes, espontâneos ou obrigatórios eles são inerentes à nossa condição. É possível obrigar alguém a recomeçar? Talvez sim, talvez não. Acredito que, assim como para qualquer outra coisa, seja necessária uma motivação para o recomeço e, relembrando as aulas de Psicologia, motivação é um processo interno. Não é possível motivar o outro, é possível estimular. Motivar é de cada um e depende muito mais do que está dentro do que daquilo que vem de fora. Entretanto quando se trata do calendário e o término de um feriadão, somos obrigados a voltar à ativa, ainda que nosso corpo e nossa mente não colaborem para isso. Devemos ir mesmo que não estejamos preparados, pois o cotidiano nos colocará novamente no prumo.
Recomeços são oportunidades para se conhecer novamente. Testar limites, fazer diferente da vez (ou das vezes!) anterior. Se antes você se queixava com frequência das tarefas compulsórias, tente fazê-las sem reclamar, pois parecerão menos difíceis. Lembre-se que há coisas que não têm jeito!
Estamos inaugurando um novo começo. No país do carnaval dizem que o ano só começa depois dele. Escuto isso há tempos, mas penso que a realidade mudou e ninguém se deu conta! Houve um tempo em que o ano letivo começava em março, agora há escolas que iniciam no fim de janeiro se este coincidir com uma segunda-feira. As lojas não fecham mais, feriados são apenas para algumas classes profissionais, mas tudo o que eu escuto é que precisamos de mais trabalho! Trabalhar mais? Já não somos suficientemente atribulados? Os que não querem nada, não vão querer mesmo se tivermos menos feriados. Quem quer estuda no feriado, trabalha em casa, faz as coisas acontecerem. Eu sou absolutamente a favor dos feriados e nem me envergonho disso! Faço uma porção de atividades no meu dia-a-dia, então me considero merecedora do descanso.
Neste recomeço não deixe que a volta à rotina seja sofrida mais do que o necessário. Rotinas são necessárias para o nosso bem-estar embora tenhamos a sensação contrária. Pense em como você se sentiria depois de um mês sem horários para dormir, comer ou fazer suas atividades. Certamente esgotado como se estivesse prestes a entrar de férias. Ficar a toa é legal, mas tudo que é demais também cansa. Faça a sua parte para sentir-se digno de aproveitar o ócio. E quando ele chegar não se culpe ou fique arrumando coisas produtivas para fazer. Entregue-se apenas! Tire o relógio do pulso, a dieta da porta da geladeira, a lista de afazeres urgentes da sua cabeça. Seja livre. Depois o descanso acaba e você tira o atraso. Vá até o fundo e encontre impulso para subir. Se ficamos sempre na superfície, com uma atenção desfocada, um ter-que-fazer permanente, uma necessidade de contribuir para a nação, nem bem conseguimos concluir as tarefas satisfatoriamente, nem bem descansamos. Faça cada coisa a seu tempo. A natureza nos ensina a ser assim e fazemos questão de não aprender. Há a hora de plantar, de crescer, de colher, de replantar. Nós só queremos colher. Só não atentamos para o fato de estarmos colhendo stress, angústia, tristeza e cansaço. Chega! Que possamos recomeçar depois de um profundo "far niente". E se o feriado passou e você não aproveitou como devia, programe-se para o próximo... logo, logo ele estará aí!

Bom recomeço...

Até!


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Envelheço na cidade

Hoje estou fazendo aniversário. Mas não é um aniversário qualquer. É uma grande marca na vida de qualquer pessoa, tanto que várias citações foram feitas a respeito disso. 
Cheguei aos quarenta e estou gostando da brincadeira... é claro que a cada ciclo, a cada aniversário temos a oportunidade de repensar uma série de coisas, de rever o que fizemos até então, de prometer não repetir um tanto de erros. O que muda desta vez? O acumular do tempo. Cada vez mais, no entanto, a idade parece significar menos do que há algumas décadas. Já ouvi dizer que os 40 são os novos 30. E agora que cheguei neles tenho exatamente a mesma sensação. Não se trata de um recusar-se a envelhecer. Mas de que atualmente as pessoas de quarenta estão realmente chegando à metade da vida, já que temos uma expectativa maior do que poderíamos pensar tempos atrás.
Quero agora, então, planejar os próximos quarenta. O que passou, passou. Construiu minha história, definiu quem eu sou, mas é passado. E de nada me serve, como não serve a ninguém, ficar lamentando os ocorridos. As cicatrizes, físicas ou não, desenharam um novo padrão em mim. Impossível ser a mesma pessoa depois delas. As marcas positivas, porém, combinam mais comigo.
Daqui por diante quero rir ainda mais das coisas da vida. Quero me preocupar menos, colocar menos responsabilidade no que está do lado de fora e assumir mais "culpa" naquilo que acontece, porque quando somos os responsáveis temos oportunidade de traçar um caminho diferente. Se somos vítimas temos que contar com a boa vontade do destino. E, definitivamente, não sou do tipo que vê a vida passar... eu passo junto!
Quero ter mais tempo para mim. Ter menos preguiça também. Aproveitar melhor o tempo está nas minhas metas para o futuro que está começando. Isto não significa produzir cada vez mais. Significa, apenas administrar melhor o tempo que me cabe. Se é para ficar a toa, é para ficar a toa, contemplando o nada... preciso disso às vezes.
Quero reclamar menos, ter menos expectativas. Aceitar de bom grado o que vier para mim. Não se trata de ser conformada, mas de usar de modo inteligente os recursos que me forem dados. Mas quero tudo que tenho direito.
Quero mais dias significativos e menos contagem vazia de tempo.
Quero aproveitar mais os processos ao invés de focar somente nos resultados.
Mais sim. Mais não quando necessário.
Quero brincar um pouquinho todos os dias, ainda que o faz-de-conta esteja apenas na minha cabeça.
Quero passar o tempo todos os dias e não envelhecer nunca.
As rugas fazem parte do contexto. Se me incomodarem, dou um jeito. Que o colágeno, no entanto, não me abandone!
A alma (ah! a alma) tem que se manter como há 20 anos atrás. Que o meu interior possa se manter vivo, infantil, ativo e vibrante...
Que venham os próximos quarenta.

Até lá!



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um dia de bênçãos!

Já diz o ditado que para ir a Roma é preciso ver o Papa! Fui para Roma com o objetivo de fazer valer estas palavras. Estar lá e não se programar para isto acontecer é deixar faltar alguma coisa muito importante. É como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel, por exemplo. Roma tem uma infinidade de atrativos, mas sem dúvida, o que mais esperava era exatamente pelo momento de ver o Papa. O Vaticano em si, Estado murado, já desperta algo de fascinante. É como se entrássemos em um reino mágico e desconectado do resto do mundo.
Chega o dia tão esperado. O tempo não ajuda muito, mas não parece que vai piorar. É preciso se apressar já que gente do mundo inteiro espera por este momento. Chegamos à Praça São Pedro da mesma forma que outros milhares de pessoas, ansiosas pelo que iria acontecer. De repente, uma chuva começa a cair com tamanha intensidade que a vontade é de desistir, mas tinha um objetivo muito claro e não iria me afastar dali até que ele se cumprisse. Um vento cortante torna o dia já frio em uma manhã congelante. A chuva aumenta e começa a cair granizo. Pequeninas bolinhas de gelo batem nos guarda-chuvas e no chão representando um desafio ainda maior à espera da benção tão especial.
Faltando apenas uns poucos minutos para a aparição do Papa, da mesma forma repentina que começou, a chuva parou e um lindo céu azul se abriu. Senti como se Deus quisesse “testar” a nossa capacidade de suportar as dificuldades.
A janela do prédio se abre, estende-se o tecido vermelho e a ansiedade aumenta. A distância é enorme, mas os olhos do coração têm capacidade de enxergar até o que não se vê. E então, o Papa aparece. A emoção é indescritível. Sua simpatia também.
Tive o privilégio de assistir ao primeiro Angelus do ano de 2014. E o Papa caprichou. Estive em sua companhia por quase 15 minutos. Ele rezou, proferiu suas palavras sobre o Evangelho e, sem dúvida, saí de lá me sentindo abençoada. Quando termina fica a sensação incômoda de desejar ter demorado mais.
Apesar de já ter estado dentro da Basílica no dia anterior, entrei novamente após a benção do Papa e tive a grata surpresa de chegar bem na hora que iria começar uma missa e eu pude assisti-la. É complicado acompanha-la em italiano, mas a liturgia não muda e, curiosamente, a entonação na hora da leitura também não. Foi um dia muito especial, sem dúvida.
Sei que este dia será inesquecível para mim, mas como se não bastasse te estado com o Papa, nos dias que se seguiram da minha viagem tive outras duas experiências igualmente incríveis: Visitar Assis e buscar a Capela da Medalha Milagrosa em Paris.
Se tiver vontade de assistir ao mesmo Angelus que eu vivenciei, acesse:


Até breve!

Ps.: Este texto foi carinhosamente escrito para atender a um pedido da Ana Silvia, uma amiga de longa data, para compor o Jornal da Pastoral da Comunicação de Pedro do Rio.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Depende...

Você pode aproveitar o dia de sol e se alegrar com isso ou pode se queixar pelo excesso de calor.
Pode aliviar a temperatura com as nuvens ou se aborrecer com a iminência de chuva.
Tudo depende do jeito que você vê.

Você pode ficar feliz por ter um trabalho ou amaldiçoar cada despertar cedo
Agradecer por ter comida todos os dias ou reclamar porque ela te faz engordar
Tudo muda quando você muda a sua forma de ver.

O dia pode ser curto para tantas coisas boas ou longo demais quando o que se quer é o dia seguinte.
A noite de sono pode passar mais devagar. A noite em claro parece não terminar nunca.
A forma de ver depende do momento.

Você pode agradecer pelas crianças em casa ou reclamar por elas darem tanto trabalho.
Pode ficar feliz porque o horário de verão torna os dias mais longos
Ou se incomodar por acordar de madrugada.

Você pode celebrar a sua vida ou se entristecer porque um dia ela acabará
É uma escolha sua...

A vida é assim!

Positivo e negativo
Bom e mau
Certo e errado
Alegre e triste

Tudo depende da forma como você a vê!

Que saibamos ser mais positivos, bons, certos e alegres... a cada dia!

Até mais...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sobre as águas...


Falar de Veneza é mais ou  menos o mesmo que falar de Paris. Não que as duas cidades guardem muitas semelhanças, mas porque falar delas é quase como chover no molhado, cair em lugar comum! Todo mundo sabe alguma coisa sobre uma e outra. A maioria tem algum tipo de admiração e, na verdade, muito já foi falado sobre as duas. Mas como também é papel do blog passar as minhas impressões sobre as coisas, achei por bem, então, cumpri-lo.
Cheguei a Veneza de trem. O famoso Frecciargento cruza diversas cidades desde que sai de Roma, traçando um rápido panorama do país. Rápido porque tudo o quanto é permitido é ter um gostinho delas através das estações pelas quais ele passa e rápido porque sua velocidade atinge 240km/h. Desembarquei na estação principal de Veneza e o primeiro pensamento é sobre quanto a cidade é diferente de tudo que já se viu! Saindo da estação dou de cara com o canal, bem ali, na minha frente. Diferente de outras cidades turísticas, as atrações não ficam em ruas principais, concentradas em uma determinada área. A cidade toda é uma atração. É surpreendente uma cidade inteira se movimentar por meio de barcos ou bicicletas. Não há carros em Veneza. Se isso soa óbvio, soa igualmente impensável nos dias de hoje. Logo me deparei com uma das inúmeras pontes que cortam a cidade, todas arqueadas para permitir a passagem das embarcações e gondoleiros que viajam em pé em suas charmosas gôndolas. É bem verdade que Veneza deixa a desejar no aspecto "acessibilidade", já que as pontes têm escadas e apenas duas da que eu vi contam com rampas removíveis, mas certamente não seria igual se não fosse o conjunto de pontes e vielas que compõem o lugar.
Um fato muito curioso aconteceu comigo na chegada à cidade. Assim que deixamos o terminal descobrimos que o hotel ficava exatamente em frente, do outro lado do canal. Carregando a mala pesada comecei a subir a ponte com o intuito de chegar à outra calçada. Ao perceber minha dificuldade em subir os degraus meu marido prontamente começou a subir com as duas malas. Quando chegamos ao topo, tomei novamente a minha mala e comecei a descer as escadas puxando-a, assim como as crianças fazem na saída da escola. De repente, sem que eu esperasse, uma senhora que vinha caminhando enquanto falava ao telefone passou a mão na minha mala. Em um primeiro momento, achei que ela queria me ajudar dividindo o peso para descer a escada. Mas ela, sem desgrudar do telefone um único minuto, começou a descer a mala com uma destreza invejável enquanto eu tentava, em vão, pegá-la de volta. Senti um misto de agradecimento e vergonha por necessitar da ajuda de uma local, visivelmente mais idosa que eu, para carregar minha mala. Por um momento, com meu parco italiano, entendi até ela explicar para a pessoa do outro lado do telefone que ela estava ajudando uma turista a descer sua mala. Terminada a escada ela dirigiu-se a mim com um "Ecco! Arrivederci!" e seguiu seu caminho. Por um instante fiquei com aquela expressão de "Hã? O que foi isso?", mas logo foi substituída pela hospitalidade declarada da dona do hotel. Como uma anfitriã que faz de tudo para que seus hóspedes se sintam em casa assim é ela!
Aliás, como as pessoas que leem o blog gostam de umas dicas de viagem, eu recomendo este hotel em Veneza por várias razões. Em primeiro lugar a acomodação é boa, confortável, apesar de não ser uma suite presidencial. Vale lembrar que os espaços na Europa, em geral, são bem menores do que os nossos habituais. Tem uma boa conexão wi-fi no quarto já incluída. A localização é espetacular! Fica exatamente em frente à estação, o que faz economizar uns bons euros, pois a maioria dos hotéis necessita de barco para acessar e as viagens são bem caras. O café da manhã é completinho e o atendimento é o grande diferencial. A simpatia, o desejo de ajudar e agradar são tão grandes que dá vontade de ficar lá um bom tempo. O nome do hotel é Antiche Figure e é impossível não vê-lo chegando por meio de trem. O endereço é Santa Croce, 686 - Veneza.

Assim começou minha aventura por aquele lugar. Muito ainda havia por descobrir e ainda há muito para contar aqui... foi só o início!

Até a próxima...

PS: Na volta para a estação ferroviária, a caminho de Milão, usei a técnica da senhora que carregou a minha mala escada abaixo. E adivinhe? Não funcionou! (rs)


domingo, 26 de janeiro de 2014

Il Colosseo

Quando soube que a viagem desta vez seria para a Itália minha cabeça foi povoada por um sem número de ideias e pensamentos soltos. Não há como não pensar em identidade quando se trata daquele país. Sendo 50% cidadã italiana, já que tenho dupla cidadania, não há como não ficar empolgada com a possibilidade de sentir na viagem uma sensação de "voltar para casa", ainda que nunca tenha pisado lá. (Será que não?) Mas além da identificação imediata comecei a pensar no tempo, na contagem do tempo. Quando viajamos para lugares históricos no Brasil nos surpreendemos com os duzentos, trezentos, quatrocentos anos que as igrejas ou monumentos têm. Quando viajamos para Paris, Praga ou outra cidade próxima, começamos a falar em oitocentos ou mil anos de existência. Mas na Itália, tomando "emprestada" a história prévia do Império Romano, a contagem passa a outro patamar, (acredito eu!) somente comparado ou superado pela Grécia, Oriente Médio e alguns países da Ásia. Estamos falando de dois milênios ou mais... Quando pensamos nisso não há como não considerar a nossa pequenez diante de um universo inteiro.
Dia desses algumas pessoas comentavam fotos minhas no Facebook, onde questionava-se uma imagem do Coliseu de Roma, "Il Colosseo" para os italianos. Até ver de perto, o Coliseu que eu conhecia era do meu livro de italiano, fotos de turistas ou dos filmes. Obviamente uma obra grandiosa, mas nada que se comparasse ao que ele é de perto. Não falo apenas das dimensões físicas. Interessa muito mais a mim a grandiosidade "não tangível" daquele lugar. É uma mistura de perplexidade e encantamento o que se sente lá dentro. Há quem veja apenas ruínas no lugar de uma arena de dimensões descomunais. Eu vejo além. Recorro a conhecimentos que nem mesmo sei de onde surgiram, buscando em meus arquivos pessoais toda sorte de informações que me auxiliem a compreender melhor tudo o que estou vendo. Cada passo dado lá dentro me transporta para outra era. Não há como precisar o que, de fato, acontecia nos intermináveis anos em que o Coliseu serviu de palco para todo tipo de espetáculo, mas certamente a alma dos que o utilizavam como cenário está ali presente, enchendo de significado cada centímetro daquele grande teatro. Muitos não sabem, mas seu nome é Anfiteatro Flaviano em homenagem ao Imperador que ordenou sua construção, Flavio Vespasiano. Mesmo restando apenas uns poucos resquícios de suas arquibancadas, estima-se que em tempos áureos o Coliseu acomodava mais de 50000 espectadores.
Sim! O Coliseu foi um grande estádio, assim como os que hoje conhecemos sendo palco dos torneios de futebol. Isso há 2 mil anos atrás. Só que ao invés de jogadores, os astros da arena eram gladiadores lutando entre si ou contra animais, em geral felinos grandes como leões. É ou não é digno de estupefação?
É lugar obrigatório estando em Roma, mas é muito importante chegar cedo. O ideal é visitá-lo antes mesmo das 10 da manhã, pois logo após isso criam-se filas intermináveis. O ingresso não precisa ser comprado com antecedência. Custa cerca de 12 euros e vale também para o Foro Romano que fica bem pertinho. Para ir até lá é só pegar o metrô. A estação "Colosseo" fica exatamente em frente ao monumento.

Bom passeio!

Até lá!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Entre Armanis e Michelangelos...


Foro Romano
A memória é cruel, implacável. Dizem que a minha é de elefante, mas ultimamente ela tem funcionado parcialmente. Eu me lembro de fatos detalhadamente, porém estes se misturam entre lugares, datas e outros acontecimentos alheios aos que eu deveria estar processando. Gostaria de ter escrito sobre cada sensação, lugar ou sabor no momento em que foram vividos durante a viagem, mas eu tinha que escolher entre experimentar ou registrar. Quem viaja para lugares tão espetaculares como os lugares que visitei sabe que não há tempo - e muitas vezes energia! - para dar conta de tudo. E entre estas duas coisas, optei por saborear cada minuto de novas experiências que me foram oferecidas. E quase como um pedido de desculpas a você, leitor que me acompanha, deixo aqui registrado que se hoje tenho o que escrever, ainda que de forma confusa e desordenada, é graças a tudo o que testemunhei durante as últimas duas semanas.
Resquícios da Casa de São Francisco de Assis
Ainda ontem, conversando com minha família, discutíamos as atrações que a Europa poderia oferecer durante uma viagem. Eu, particularmente, gosto de lugares que tenham um "quê" de história, não só pelo conhecimento que vá me agregar, mas sobretudo pela alma do lugar. Quando passeio pelas ruas de qualquer cidade europeia, não há como não evocar as memórias de tempos nem mesmo vividos por mim. Quantos outros olhos testemunharam aquelas mesmas cenas, intocáveis, idênticas? Não há como não se impressionar, ao caminhar em um lugar qualquer de Roma, com as paredes que emolduram as ruas celebrando centenas ou milhares de anos. Se as construções são frias, as pessoas que as idealizaram eram de verdade. Casamentos, famílias, nascimentos e mortes foram testemunhados por aquelas paredes. Histórias de amor, de felicidade ou de tristezas e saudades foram encenadas naquele espaço, e é possível sentir esta aura. É por causa dela que vou até lá. A vida é feita de acontecimentos. São eles que fazem a vida ter sentido. Neste ou em qualquer outro tempo é a história de um lugar que me desperta a vontade de conhecê-lo. Lugares estéreis, como já diz o nome, não geram nada. São vazios, ocos, sem cheiro, cor ou movimento. É claro que cada um decide para onde quer ir de acordo com o que busca. É possível, até mesmo, ir para um lugar fantástico e não absorver nada do que ele pode oferecer. Há quem veja Paris como um grande mercado de grifes... e também é! O que determina a tônica do seu passeio é o que você busca. É você quem decide se a Itália é "Giorgio Armani" ou "Michelangelo". Há espaço para os dois. Só não permita que os apelos da modernidade, do consumo e da futilidade se sobreponham à história e a genialidade de nossos antepassados, pois a cidade que conhecemos hoje é resultado de tudo isso!
Palácio de Versailles


Até mais!


domingo, 12 de janeiro de 2014

Heranças...

Coliseu de Roma
Que eu gosto de história e que minhas viagens, em geral, têm o objetivo de explorar a "alma" dos lugares todo mundo que me conhece sabe. Pois nesta viagem, que embarquei há cerca de 10 dias, este gosto tomou outra proporção. Ganhou um caráter mais afetivo do que todas as anteriores e, além disso, a possibilidade de descobrir um tempo que nem as minhas mais remotas intenções poderiam desejar. Se a Europa é conhecida como Velho Continente, o que dizer de Roma, com seu imponente império, outrora tão poderoso e que até hoje guarda resquícios - e relíquias - de sua grandiosidade?
Assis - Perugia
Mais uma vez fico em um impasse... não sei se procuro respeitar alguma ordem cronológica, fazendo com que os fatos tenham mais sentido para mim, ou se vou escrevendo de acordo com a minha vontade e minha memória, independente de quando aconteceu. Só para esclarecer, a jornada desta vez começa na Itália e termina na França. Passa pelas cidades de Roma, Assis, Florença, Veneza, Milão, Como e Paris. Com exceção da última, tudo é novidade para mim, ou quase! Sendo descendente de italianos, passei toda a minha vida ouvindo alguma história de referência italiana e nutrindo, ao mesmo tempo, o desejo de conhecer de perto minhas raízes. E Paris, sendo a minha cidade "queridinha", retorno como quem toma conta do que nem mesmo lhe pertence, só para ver de perto o que andam fazendo com aquilo que lhe é tão caro ainda que alheio aos seus domínios. Neste exato momento, no quarto de um hotel qualquer em Milão, constato tristemente que a viagem já passou da metade do seu tempo. Amanhã embarco para a última etapa já com saudades do que foi visto, vivido, experimentado, degustado... ah! Como se degusta por aqui... ao mesmo tempo que tudo parece tão desconhecido, há um gostinho de casa e coisa conhecida que me remete ao mais íntimo da minha história!
Sou do tipo que aproveita tudo que uma viagem pode oferecer e, geralmente, gosto de tudo! Os momentos ou situações não tão interessantes eu faço questão de esquecer, portanto se me perguntar se um ou outro lugar vale a pena conhecer, sempre vou dizer que vale... ainda que seja para não retornar lá. Mas acho que as visões variam muito e aquilo que eu procuro pode ser diferente do que o outro procura, logo, sempre se ganha alguma coisa visitando lugares. De modo geral vou listar coisas boas e ruins, cuidados a se tomar ou programas que são imperdíveis. O resto fica por conta de cada um. 

Passeio de Gôndola - Veneza

Bem, neste momento é tudo o que posso dizer. Estando curioso para saber mais aguarde os próximos posts... tenho certeza de que não vai se arrepender!

Embarque no próximo trem rumo a esse mundo fantástico!

Arrivederci!