segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Lista de pequenas memórias da infância

Um grupo de amigos meus estudou na mesma escola. Não a minha. Dia desses relembravam pessoas, lugares e passagens vividas naqueles tempos. Fiquei com inveja. Não tinha com quem compartilhar. Já que eu não pertencia àquelas memórias, resolvi listar aqui as minhas próprias. Sei que são só minhas. A mim pertencem. Mas sei também que muitas outras pessoas podem se apropriar delas, já que talvez tenham passado pelos mesmos lugares nesse tempo que insisto em chamar de meu.
A primeira lembrança que tenho é do pátio monumental para os meus poucos seis anos. Todo de paralelepípedo era um convite a um joelho ralado, fato ignorado por todos que se dispunham a correr por ali. Lembro do vento que batia no meu cabelo. 
Lembro da cantina e do pão com queijo ou só com manteiga na chapa. Lembro das fichinhas de plástico para comprá-las. Lembro do copo de refrigerante de papel encerado com a marca do fabricante e dos famosos selos que recortávamos em troca de io-iôs. E a febre do io-iô? Como esquecer? Passeio com o cachorrinho, torre e balanço eram apenas algumas das muitas manobras que tentávamos fazer... em vão.
Lembro do "santo", nome dado ao ponto de encontro sob uma estátua de São José, se não me engano. Do tucano, outro ponto importante da escola, onde um viveiro trazia majestoso um tucano que tentávamos chamar atenção durante todo o recreio. Pobrezinho!
Lembro do parquinho aberto onde ficava esperando minha mãe me buscar. Adorava o brinquedo de girar. 
Da minha primeira escola lembro ainda da fila, da oração na entrada e das músicas que eram cantadas antes de irmos para a sala. Lembro do dia em que a professora nos trocava de lugar. Ficávamos todos encostados no quadro, em fila, enquanto ela ia nos chamando e distribuindo nos novos assentos. Achava divertido. Talvez porque isso tomasse um tempo da aula. Lembro dos desenhos do mural que eu copiava sempre que terminava o meu dever. 
Lembro da primeira folha dos meus cadernos onde minha mãe, muito habilidosa, enfeitava com uma figura de revista em quadrinho e completava com desenho dos dois lados de forma que era quase impossível perceber onde terminava a gravura, onde começava o seu desenho. Lembro de ficar em pé ao seu lado enquanto ela fazia isso. E o dia de encapar os cadernos? Ah! Esse dia era especial. Sempre fui apressada e quando acabava o ano eu já queria o material do ano seguinte. Talvez porque eu destruísse o meu todos os anos! Das provas me lembro muito pouco. 
Lembro mesmo dos ensaios do coral, das festas juninas e até do teatrinho que algumas mães resolveram encenar para nós na semana da criança. Aquela semana, aliás, foi um sonho! Uma semana inteira só de atividades legais. Provavelmente não foi o que aconteceu, mas é como me lembro e isso basta.
Lembro de uma festa do dia do soldado onde nos vestimos de roupa de papel crepom verde, representando o exército, e fui para casa, orgulhosa, vestida daquele jeito. Todo mundo me olhando na rua e eu achando o máximo!
Lembro da capela, lugar onde vivi tantos momentos felizes e importantes da minha vida que, até hoje, me transmite serenidade, força e representa um porto seguro. Vou lá sempre que preciso me encontrar.
Lembro de tantas coisas que poderia ficar aqui por horas escrevendo. E isso é apenas da minha primeira escola, onde estudei do pré até a segunda série. 

Tempo bom. Tenho amigos daquela época até hoje. Outros fui fazendo pelo caminho e só depois descobri que também fazem parte deste período da minha vida. Coincidências... ou não!

Desejo que suas memórias sejam tão ricas e felizes como as minhas...

Até mais.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Em terras colombianas...

É apenas mais um comercial da televisão. O produto que ele vende é uma cidade. Começo a prestar atenção no anúncio e solto, quase como um pensamento alto, um "quero ir lá!". Assim começou o planejamento da minha mais recente viagem. O destino, desta vez, é um lugar que antes da propaganda jamais havia chamado a minha atenção. Cartagena de Índias, na Colômbia, ganhou outro sentido após descobrir suas ruazinhas bem cuidadas e sua história tão bem cultivada ao longo de todos esses anos, segundo a promessa mostrada na televisão. Todas as vezes que dizia a alguém que estava indo para lá, podia ler em seus rostos (e algumas vezes em palavras!) um "o que você vai fazer na Colômbia?"
E assim embarquei, sem saber muito bem o que veria por lá. Pesquisei aqui e ali os pontos turísticos e, carregava comigo o desejo de conhecer os cenários tantas vezes lidos e criados na minha imaginação, através das histórias do meu escritor favorito: Gabriel Garcia Márquez.
Sempre disse, sobre seus livros, que sua descrição era tão bem feita que eu conseguia sentir até os vapores das terras colombianas.
Cheguei a Cartagena após uma longa e cansativa viagem. O voo, que passava pelo Panamá, levava 7 horas para concluir o primeiro trecho e mais 1 hora até o destino final. Após esperar o "tempo regulamentar" exigido pelos hotéis (até as 3 da tarde) entrei no quarto e dormi até o dia seguinte. Sim, o cansaço era tanto que o primeiro dia foi todo de descanso. No dia seguinte, no entanto, estava nova em folha.
Saí animada para conhecer o que a cidade me oferecia. Caminhei até o portal que dividia o mundo real daquele que havia parado no tempo e, por isso mesmo, meu principal objetivo turístico.
Cartagena é um misto das cidades coloniais brasileiras com uma grande cidade qualquer. Podemos observar dois espaços bastante distintos no mesmo território: o Bairro de Boca Grande com seus edifícios altíssimos e modernos, e o Centro Amuralhado, que concentra todos os monumentos históricos.
São 11 quilômetros de muralha protegendo a história que povoa cada rua estreita. Em vários locais parece uma cidade cenográfica, com fachadas muito coloridas e bem cuidadas. Quase se espera encontrar o vazio por trás delas, mas são de verdade. O passeio é de puro encantamento. A vontade é de clicar cada casa, cada rua, cada pé de bougainville que orna as entradas. Do primeiro ao último dia da viagem agradeci mais e mais a ousadia de ir aonde quase ninguém vai!
Há muito para contar sobre a viagem, mas neste momento as imagens falam melhor!



                                                




Até!



domingo, 6 de julho de 2014

Caminhos...

Os desvios é que tornam a nossa vida interessante. Ouvi esta frase e fiquei pensando no que ela representava. Buscamos o caminho reto. De preferência aquele que podemos ver longe. Assim podemos nos programar, pesar prós e contras de tudo, tomar a melhor decisão. Os desvios, em geral, são imprevisíveis e por isso mesmo causam desconforto em uma primeira olhada. Mas será que faríamos as mesmas coisas se tivéssemos oportunidade de escolher sempre? Acho que não! Deixar que a vida se encarregue de ditar todas as regras é imprudente, despretensioso ao extremo, mas não permitir também que ela use de seus artifícios e artimanhas é medíocre. Medíocre porque não nos damos a oportunidade de pensar "fora da caixinha". E, desta forma, vamos mostrando a nós mesmos nossa incapacidade de ver além. 
Já reparou que as melhores histórias, daquelas que temos prazer em contar depois de algum tempo, são fruto de situações não planejadas? São especiais exatamente pelo "fator surpresa". 
Pessoas entram em nossas vidas por causa de um trabalho, por causa do colégio. Por causa de um infortúnio conhecemos outras tantas. Temos filhos sem planejar, saímos apenas por uma obrigação social, nos comprometemos sem querer. Casamos e nos separamos. Depois descobrimos que era o melhor que poderíamos ter feito. Era um presente de nós para nós mesmos. Mudamos o percurso sem motivo como se algo nos induzisse a fazer desta e não daquela forma, e no fim das contas o resultado é melhor que o esperado.
Sempre gostei dos desvios. Sempre fui de optar pelos caminhos secundários. Acertei todas as vezes? Claro que não! E que bom que é assim... Digamos que exista uma "linha mestra". Aquela que define o roteiro principal. Assim como as novelas a vida é uma obra aberta. Ou seja, é conduzida para um lado ou para outro de acordo com os acontecimentos. E, assim como as novelas, tem fim. Porém não podemos escolher de que maneira ele será. O importante, no caso da vida, é não resistir às mudanças de percurso. Isso custaria energia demais e, muito provavelmente, seria em vão.
Para se acostumar com as mudanças é preciso exercitar. Sim! Não se aprende a lidar com as mudanças sem vivenciá-las. Por isso provoque as modificações antes que elas venham sem aviso.
Sempre que tiver oportunidade desvie seu caminho! Não hesite em conhecer um novo lugar, ou uma nova forma de fazer as coisas. Ouse passar por algum percurso desconhecido. Gaste algum tempo experimentando. O que é o mundo senão um grande laboratório? Não se aprende a ser mãe lendo livros. Não se aprende a dirigir vendo filmes. Não se aprende a se conhecer apenas ficando sozinho. A gente se constrói nas tentativas, nos erros, nos desvios. Nada é mais experimental do que conhecer suas reações frente ao imprevisto! Quem nunca passou pela situação de encontrar a resposta perfeita 5 segundos depois de ter dito a primeira coisa que veio à cabeça? Quem sabe na próxima você a utilize...
Depois de tantas palavras reafirmo a primeira frase. São realmente os desvios que tornam a vida interessante. Todas as mudanças de casas, todos os amigos que fiz - e continuo fazendo! - , todas as ousadias que já me permiti hoje fazem com que eu seja quem eu sou.
De desvio em desvio vou colocando, aqui e ali, as pedrinhas do meu caminho... e também as flores, as casinhas, cercas e árvores... vou construindo minha paisagem.
Se sentir vontade eu paro para apreciá-la.
Se for preciso, construo outra passagem.
E assim sigo a minha trilha.

Até mais!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Uma procissão e muito tempo de espera

Mais uma vez fui convidada por uma amiga a contar minhas aventuras religiosas mundo afora para o jornal da sua paróquia.. Desta vez, embora decorrido um ano de lá para cá, o relato foi a minha experiência em Fátima - Portugal. Segue o texto.

Uma procissão e muito tempo de espera

Quando pequena mudei para Teresópolis. Um dia, assim que cheguei lá, soube que haveria uma procissão. Quis acompanhá-la após a missa, mas minha mãe, cautelosa pelo excesso de pessoas, decidiu que seria melhor apenas observá-la. Eu nunca esqueci isso! Queria ter ido. O dia era 13 de maio de 1983. A procissão era de Nossa Senhora de Fátima.
Exatos 30 anos depois disso surge na minha vida, também em maio, a possibilidade de visitar Portugal. Um dos destinos pretendidos era exatamente a cidade de Fátima. Fui sem muitas expectativas, pois apesar de conhecer a história, nunca fui devota. A procissão de outros tempos representara no momento muito mais um evento que despertou minha curiosidade do que, propriamente, uma questão religiosa.
Chegando a Fátima não pude deixar de notar o imenso pátio ligando as duas basílicas. Entre elas a capela que foi construída no local das aparições. Porém o que, de fato, me chamou atenção foi a quietude do lugar. Como as festividades em sua homenagem já haviam acontecido semanas antes, tudo o que preenchia aquele imenso espaço era silêncio.
Quem me acompanhava já conhecia a cidade. Disse-me que precisávamos voltar à noite para participar do Rosário. E assim foi. Chegamos à capela pouco antes das 21 horas. Sentamos em um dos bancos que, ainda vazios, nos davam muitas possibilidades de escolha. A noite fria não dava sinais do que iria acontecer em breve. Poucos minutos mais tarde o espaço começou a encher de tal forma que os bancos já não davam mais conta de tantas pessoas. A capela aberta e convidativa a toda gente já se mostrava saturada. Começa o rosário. Alguns peregrinos de várias partes do mundo são convidados a rezar no microfone a primeira parte da Ave Maria em sua língua materna. Confesso que alguns idiomas não oferecem qualquer pista sonora de que o trecho rezado está terminando. Em seguida, na segunda parte da oração, cada pessoa presente reza em voz alta, cada um em sua língua e todos juntos. É de arrepiar! Fico emocionada só de lembrar. Não há palavra capaz de explicar o que se sente. Não fosse o suficiente, ao final do Rosário todos os presentes são convidados a participar da procissão das velas. Uma volta em torno do pátio, todo iluminado pelas velas dos peregrinos, cantando o hino que me recordava desde Teresópolis... “A treze de maio na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria...” 

E aquela participação frustrada na procissão de 30 anos atrás tomou outro sentido, afinal eu estava agora no lugar onde tudo isso começou...
Indescritível! Inesquecível!

Se quiser saber um pouquinho do que eu vi, acesse:


Até a próxima...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Bandeirinhas ou Bandeirões?

Junho chegou... e com ele muitas promessas! Promessa de dias mais frios e ao mesmo tempo mais quentes perto das pessoas queridas.
Promessa de céus mais azuis e muitas nuvens de chuva. Mudanças de estação sempre trazem esses contrastes!
Promessa de riso fácil durante os encontros de amigos. 
Promessa de diversão com os jogos da Copa do Mundo e de muita confusão pelo excesso de gente e programas.
Junho chegou com gostinho de férias, mesmo para quem terá que trabalhar agora. Veio com cheirinho de amendoim, mas veio também com o som de cornetas.
Sou feliz tendo festas juninas para ir, mas agora quero mesmo é me divertir em frente à TV.
Este junho, sem dúvida, não será como os outros. Somos os donos da festa. Discute-se por aí se haverá comida para todos e se os nossos muitos quilômetros quadrados darão conta de tantos convidados. Agora não é hora para isso! A data já está marcada e os convites enviados. Agora é hora, simplesmente, de tomar um banho, colocar uma roupa bonita - verde e amarelo são as tendências da estação! - enfeitar a casa e preparar a mesa para receber. Se somos especialistas em grandes festivais, como o Carnaval, a JMJ e tantos outros, não podemos decepcionar. Não agora!
Deixe para "lavar a roupa suja" depois que os convidados saírem. Deixe para decidir o que você quer para o país quando for consultado em outubro. Não se discute relação na frente de visitas. É feio!
Espero que a partir do dia 12 de junho o brasileiro faça o que ele sabe fazer de melhor... comemorar! Somos festeiros por natureza! Gostamos da brincadeira. E se pensarmos apenas no evento, e não em tudo o que o o envolve, haveria país mais gabaritado para promover a festa? Claro que não. O Brasil tem muitos problemas e disso sabemos bem, mas não é com um evento a mais ou um a menos que os resolveremos. Tampouco este texto tem o propósito de fazer protesto. Gosto de Copas do Mundo independente de onde elas acontecerão. Eu me lembro que na Copa do Japão, em 2002, eu e minha avó acordávamos de madrugada para assistir aos jogos. Nosso código era telefonar para a outra quem acordasse primeiro. E assim foi. Assistíamos a tudo e comentávamos depois. Isso é memória pessoal. Faz parte da minha história! Não dá para não lembrar de episódios vividos durante as Copas. Lembro da primeira em que eu participei, 1982, que descíamos para a praça com uma bandeira enorme quando o Brasil vencia, ou em 1986 que, empolgada com as vitórias, minha amiga Daniele comprou um monte de bandeirinhas de plástico que seriam rasgadas horas depois de penduradas em função de uma derrota. E assim foi, até que em 2014, veremos da janela o futuro da seleção. Se perderemos ou seremos hexacampeões só o tempo dirá! Mas uma coisa é certa: temos condições de fazer uma festa sem precedentes! Como temos...! Se as nossas falhas na organização são enormes, nossa hospitalidade pode ser ainda maior... basta querermos!

Que venham os gringos...

Fair Play

Até mais!

sábado, 24 de maio de 2014

Autorresgate

Há tempos atrás decidi que queria virar "mulherzinha". Isso soa mal para a maioria das pessoas. Parece pejorativo, depreciativo, menor. Na ocasião queria dizer que estava cansada da mulher profissional que havia me tornado. Queria cuidar da casa, daquele que escolhi para passar o resto da minha vida junto, queria cozinhar e me dedicar aos afazeres domésticos. E assim foi! Porém as exigências do cotidiano me fizeram dar as costas para a minha casa e voltar a caminhar fora dela. Na verdade eu nunca consegui me dedicar somente à casa. Acho que nem conseguiria porque não se muda uma essência da noite para o dia, mas queria poder usar mais tempo com isso. No entanto quando dei por mim já estava novamente esquecendo do que havia escolhido como felicidade. Foi aí que um comentário simples, porém doloroso, me fez ver o que já sabia, mas não estava dando a devida atenção. Disseram-me: Antes você fazia questão das refeições elaboradas e agora nem à mesa nos sentamos mais! - Talvez isso tenha sido dito assim meio sem propósito quase como uma provocação. Para mim caiu como uma bomba...
Desde então voltei a tomar o gosto pelas coisinhas do fogão e tudo tomou outro sentido na minha vidinha louca. Fazer aquilo que dá prazer deve ter sempre espaço garantido na nossa rotina. Seja o que for!
Com isso, então, resolvi compartilhar aqui uma receitinha espetacularmente gostosa e fácil, cujo nome (e algumas partes da receita!) foi alterado por mim.
Apresento agora a você, meu leitor e fiel escudeiro, a receita do momento.

Quase Brownie

Ingredientes:

120g de manteiga
1 barra de chocolate meio amargo (150g)
3 ovos
1/2 xícara de açúcar
1 colher cheia de farinha de trigo
1 pitada de sal
1 punhado de nozes picadas (opcional)

Coloque a manteiga em uma panela e derreta em fogo médio. Desligue o fogo e acrescente o chocolate em pedaços. Cubra com um guardanapo e reserve. Coloque em uma tigela grande os ovos e o açúcar. Bata até ganhar volume. Esta parte pode ser batina na mão ou na batedeira, você escolhe! Misture o chocolate com a manteiga para ficar uniforme e acrescente aos ovos batidos com o açúcar mexendo com uma colher. Acrescente o sal, a farinha, as nozes. E coloque em uma assadeira untada com manteiga e polvilhada de farinha. Asse em forno médio (180°) pré-aquecido por cerca de 18 a 20 minutos. É tão gostoso que nem precisa de cobertura.
Importante: Como a receita é pequena convém colocar em uma assadeira não muito grande. Entretanto é um bolo para ficar bem baixinho.
A sugestão é comer junto com sorvete, mas é bom de qualquer jeito. Não deixe de experimentar. É fácil, delicioso e rápido! Não leva mais do que 30 minutos para ficar pronto.

Este é o meu...



Até mais!


domingo, 4 de maio de 2014

Autocolantes

Letrinhas douradas
Qual é a graça de montar álbum de figurinhas? Só faz esta pergunta quem nunca teve um! Como acontece sempre, lançaram recentemente o álbum da Copa do Mundo. Participando da vida dos meninos na família, comecei também a me envolver no troca-troca e na expectativa de encontrar aquelas figurinhas mais difíceis. Meu amado, criança grande, resolveu também fazer a sua coleção e o meu papel tornou-se ainda mais ativo. Agora me vejo procurando números, trocando jogadores e escudos, observando os times e suas particularidades. Durante minha infância fui uma grande fã dos álbuns de figurinhas e todo tipo de diversão em papel. Colecionava, trocava e me enchia de alegria cada vez que estava perto de completar o álbum.
Consegui apenas uma vez! E já foi na adolescência. Entretanto isso nunca foi motivo de desânimo, pois na infância frustração não tem lugar por muito tempo. Logo é substituída por coisa mais interessante. Não gostaria de ser criança para sempre, mas conservar alguns hábitos seria de grande utilidade. Pena que na vida adulta a gente substitua as coisas com a mesma rapidez, no entanto, não por coisas mais legais. Simplesmente somos empurrados por aquilo que vem pela frente... só isso!
Os desenhos eram lindos!
Quando somos crianças corremos sem parar, tudo parece mágico e o tempo não é o senhor das coisas, nós somos! Eu me lembro das férias renderem e, depois de tantos anos, as aulas ficaram mesmo no esquecimento. As brincadeiras e visitas recebidas hoje fazem muito mais sentido. Como fui criada em apartamento minhas histórias talvez não sejam em quintais ou coisas do tipo, mas quem precisa de um quando se tem a escada do edifício para se fazer piquenique? Sim, eu e uma amiga comprávamos todo tipo de besteiras à venda e comíamos escondidas nas escadas entre um andar e outro. Quem nunca brincou de detetive em uma aula vaga? No colégio em que eu estudava, em Teresópolis, fazíamos isso na capela, que era um espaço livre no corredor das salas de aula. Lembro que era um vão, com uma imagem de Jesus Cristo (ou talvez algum santo que já não me lembro), um tocos que serviam de bancos e um carpete azul royal. Tinha ainda uma porta sanfonada que às vezes fechávamos para nos esconder. Lugar sagrado? Ah, crianças não se preocupam com isso! Apesar do "mau uso" a energia que corria ali era absolutamente do bem! Éramos crianças...
Brincávamos de pique esconde com os meninos da mesma rua, acreditávamos em príncipes encantados, dávamos uma voltinha na rua antes, durante e depois das chuvas de verão. Tínhamos amores platônicos, colecionávamos papeis de carta (sim, porque trocávamos cartas!) e nos imaginávamos muito adultos aos dezoito.
Este eu completei...
Minha infância foi feliz! Talvez não oferecesse muitos atrativos para as crianças de hoje, mas acredito que cada coisa tenha seu tempo. E se perguntarem aos mais velhos estes dirão, igualmente, que a deles é que era boa.
(...)
Ainda bem que os álbuns de figurinhas permaneceram...

Até mais!

domingo, 20 de abril de 2014

Top 5 - Itália

Todas as vezes que viajo prometo escrever sobre todas as dicas, passeios imperdíveis e comidas maravilhosas que experimentei. Da Itália falei pouco. Não por falta de belezas ou atrativos. Muito pelo contrário. A Itália é meu berço, minha segunda pátria. Trago no sangue as heranças de lá. Cada passo naquela terra teve significado mais do que especial. Por que, então, não escrevi muito? Sei lá! Talvez por não ter tido tempo, talvez por ter visto coisas demais. Resolvi então me redimir e destacar as melhores 5 experiências da Itália para dar ainda mais gostinho a quem estiver indo para lá ou, simplesmente, a quem queira conhecer um pouquinho mais.

Pietà, Michelangelo
# 5 - As obras de arte -  Pietà e David de Michelangelo, e a Última Ceia de Leonardo da Vinci. Não há como não ficar maravilhado com elas. O problema é que você precisa percorrer boa parte do país para conseguir ver estas três. a Pietà fica dentro da Basílica de San Pietro, no Vaticano. O acesso a ela é tão simples que surpreende. Chegamos a duvidar se é ela mesmo. Fica ali humilde, em um cantinho da igreja, recatada, quase passando despercebida a olhos menos atentos. O David, ao contrário, mostra-se imponente, gigantesco e com uma precisão anatômica que fica fácil esquecer que é todo feito de pedra. Tem um realismo que impressiona. Mas não se engane! O verdadeiro David fica dentro da Galleria dell"Academia e não em praça pública como muitos pensam. Há sim uma réplica lá, mas apenas para lembrar onde ficava originalmente a estátua quando foi feita. Para admirá-la, terá que ir à Florença. Por lá também vale a pena visitar na Galleria degli Uffizi os quadros Nascimento da Vênus e A Primavera, ambos de Botticelli. E por último, mas não menos importante, a Última Ceia de Leonardo da Vinci. Espetacular! Fica em Milão e para vê-la é necessário ter muita antecedência, já que os ingressos para visitação encerram-se, em média, 2 meses antes da própria visita. Vale a pena se programar para comprar pela internet, caso contrário não será possível chegar até lá.
Davi de Michelangelo
# 4 - Os trens - viajar pela Itália é, sem dúvida, muito mais fácil de trem. Estacionar nas suas ruas estreitas não é tarefa muito fácil e além disso você não precisa se preocupar em localizar estradas e cidades. Assim como em muitos outros países da Europa, a malha ferroviária italiana é admirável. Há trens em vários horários, muitos deles com cara de metrô (e até com integração para eles!) e as passagens são relativamente baratas. Para os trechos mais extensos é interessante comprar antecipadamente pela internet. Já para viagens mais curtinhas há uma infinidade de máquinas nas estações onde você compra o bilhete por conta própria. A maioria dos trens têm banheiro e alguns, os frecciargento e frecciarosso, têm também acesso à internet por um preço quase simbólico pelo período de 24 horas. 
# 3 - Comida - se você está de dieta e vai viajar para a Itália, desista! Não da viagem, mas da dieta! Eu sou fã assumida de massas, mas este prato lá se eleva a outro patamar. Muitas pessoas me disseram que as porções não eram generosas e o cozimento deixava a desejar. O macarrão aldente seria quase um "quebra dente". Mas as minhas experiências gastronômicas na Itália apenas confirmaram o que eu já sabia. Eles seguem várias etapas nas refeições e as quantidades são substanciais. O sabor é divino e eles fazem jus ao título de "inventores" dessa brincadeira. Mangia che ti fa bene... literalmente!
cioccolato e pistacchio
# 2 - Gelato - embora também seja de comer, o sorvete italiano merece um lugar de destaque. É tão gostoso que mesmo no inverno se toma todos os dias. Os meus favoritos são os de chocolate e o de pistache. Chocolate está no plural porque há uma boa variedade de sabores à base dele. A cremosidade do sorvete é inacreditável. Outra coisa curiosa é que sempre são servidos dois sabores ou mais, due gusti, como eles falam. Nunca é uma única bola. Além disso, não utilizam concha para servir, mas pás, assim batem o sorvete antes de colocar na casquinha tornando-o ainda mais cremoso. Experimentei em todas as cidades que visitei e em todas foi espetacular!
Vista de Assis
# 1 - Assis - a cidade de São Francisco de Assis é para mim o número 1 da Itália. Independente de crença ou religião o lugar é mágico, lindo, especial. É fácil chegar lá de trem indo de Roma. Dá para ir e voltar no mesmo dia. Há uma boa estrutura para o turista com bons restaurantes e algumas pousadas. É toda medieval, com paredes de pedra e uma atmosfera de harmonia muito convidativa. Vale a pena conhecer. Estando na Itália é destino obrigatório. Foi o lugar onde mais tirei fotos! Se der a sorte do céu estar azul, fica perfeito!  

É isso. Falar da Itália é "chover no molhado" mas eu não podia deixar de registrar estas impressões... mesmo que muito tempo depois!
Nascimento da Vênus, Botticelli

Ps1: A ordem dos tópicos não é por importância. Eu não colocaria o sorvete mais importante que as obras de arte! É pelo fato desse ser muito mais acessível e agradar a todos os públicos.
Ps2: Os inventores do macarrão foram os chineses, mas os italianos, sem dúvida, aperfeiçoaram e popularizaram, por isso a citação.

Até mais.

Mudanças em curso!

Nesta Páscoa desejo aos meus amigos que o sentido de renovação não se perca no dia seguinte.
Desejo ainda que entre chocolates e presentes não possam esquecer que se o dia é de celebração, a razão da festa não pode passar em branco. Desejo ao mundo mais tolerância, generosidade, partilha e amor.
Nesta Páscoa quero que a passagem da morte para a vida seja sentida no menor dos gestos. No abraço, nas palavras, na simples escolha de fazer o bem.  Que "vida nova" não seja apenas modo de falar.
Espero que o momento de descanso sirva como tempo de reflexão e não apenas de comemoração. Desejo que os erros do passado não venham fazer visita e não sirvam de referência para os atos futuros. Mais discernimento no pensar, mais cautela no agir. Mais gentileza no trato com o outro e menos necessidade de dar sempre a opinião. Na maior parte das vezes as pessoas só precisam ser ouvidas... com atenção!
Desejo, nesta Páscoa, que a serenidade faça parte de todos os dias trazendo consigo a habilidade de conviver. Escute mais, fale menos. Sorria mais, assim terá menos motivos para reclamar. Ao invés de criticar, apenas agradeça.
Independente de crença, desejo que o seu Deus faça morada em seu coração. Que o sacrifício sofrido sirva de exemplo real para uma mudança de vida. Que Cristo renasça em nós e nos permita agradecer sempre pela oportunidade de aprender.

Que possamos viver uma eterna Páscoa...

Feliz Renovação

Até mais!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Envelheço na cidade II

Estou em fase de reavaliação! Já disse isso no texto anterior com o mesmo título. Fazer quarenta anos não é para qualquer um. Aliás, é um injustiça a desvalorização que nós humanos fazemos da nossa idade. Se uma empresa faz 40 anos de existência isso é motivo de comemoração. Demonstra solidez, confiabilidade. Por que será, então, que em se tratando de pessoas a mesma idade passa a ser sinônimo de velhice?
Pois eu estou vivendo a máxima de que a vida começa aos quarenta. Reservei este tempo para mudar o que não funciona mais. É engraçado como uma simples alteração no calendário faz uma reviravolta na cabeça.
E a sensação que eu tenho é de que isto ainda vai durar. Não é como em todos os aniversários, que o dia é especial e ponto, no dia seguinte tudo volta ao normal. Desta vez tudo está diferente! Estou com a sensação de mudanças em curso há mais de um mês! Na verdade cada vez que escrevo em algum lugar a minha idade eu sinto um "pesinho". Arriscaria até a dizer que os 41 serão mais fáceis.
Não sou a pessoa "mais diferente" do mundo, mas sou "mais diferente" do que muitas pessoas que conheço. E em se tratando de idade, minha crise não foi com a proximidade dos 40, mas acredite, dos 25. Eu me lembro como foi difícil e pesado na minha cabeça fazer essa idade. Em parte, talvez, porque já havia me conscientizado de que era adulta e tinha entrado em um processo de ida sem volta, mas também porque naquela ocasião minha vida precisava mesmo de muitas mudanças. De um jeito ou de outro, aquela idade foi mais difícil que a de agora. Fazer quarenta anos, por sua vez, me deu o aval para uma série de coisas. Uma delas é me permitir ser mais ridícula - ou menos autocensurada! - que antes. Não estou falando de sair por aí de forma inadequada, seja na vestimenta ou comportamento, estou falando de não me proibir ou me tolher o tempo todo, como fiz muitas vezes. Não vou ser apedrejada se alguém me vir com o esmalte descascando ou se meu cabelo estiver mostrando algumas raízes brancas. Quero estar bem fisicamente por uma questão de saúde, muito mais do que de estética. Roupas servem para embelezar o corpo e disfarçar o que não está bom! Cada vez mais falo o que penso ao mesmo tempo que me calo quando convém. Estou aprendendo, a duras penas, a guardar meus pensamentos para mim, pois expô-los me trará mais descontentamento do que guardá-los. Talvez esta seja a maior conquista que tive aos quarenta: a capacidade de ficar quieta!
Estou aprendendo também aos quarenta que minha carreira profissional já está quase encerrando e que isso não me causa qualquer desconforto. Venho trazendo minha contribuição da melhor maneira que posso e deixando meu legado a quem quiser aproveitá-lo. Devemos não perder de vista que assim como todas as coisas, nós também temos prazo de validade no trabalho. Minha mãe se aposentou assim que foi permitido a ela e sempre falou que devemos saber a hora de sair de cena. O mundo não vai parar se faltarmos em algum momento. Portanto, encerrando os trabalhos em breve e investindo em novos rumos... sejam eles profissionais ou não. Sempre tive uma boa capacidade de mudar e isso é fantástico. Agora não é diferente. Muda a idade, mudam as ideias. Estou pronta para começar.
E se isto servir de inspiração para alguém, que se aproprie e siga em frente!

"Se a palavra vale prata, o silêncio vale ouro!"

Até breve!



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Retrato ou Paisagem

O cenário é uma cidade pequena. Os personagens, muita gente de todos os tipos e lugares. Gente interessante, descolada, muito diferente das minhas companhias habituais (não que as minhas pessoas de todo dia não sejam interessantes, mas essas, sem dúvida, são de um tipo diferente de gente!). Gente acima do bem e do mal. As estrelas, todos os modelos de câmeras fotográficas que nos é permitido imaginar. Assim foi o festival de fotografia de Tiradentes. Sim, fui para lá mais uma vez. Precisamente a sétima nos últimos 3 anos. No ano passado também estive presente ao evento, mas sem dúvida desta vez de forma muito mais significativa. Não, eu não enveredei pelo mundo maravilhoso da fotografia, apenas acompanhei meu amado, fotógrafo nas horas vagas. O festival é uma mistura muito feliz de gente alternativa, com uma cabeça completamente fora do convencional, uma paisagem deslumbrante e muitas atividades interessantes. Impossível não se deixar envolver! Fareja-se cultura em todos os cantos. Diferente dos turistas de todo feriado, a cidade fica povoada por intelectuais, artistas, pessoas que deixam sua marca no mundo seja por meio de um livro, de uma imagem, de uma fala imortalizada. Embora não faça parte do universo em si me sinto absolutamente em casa. Ou quase. Não é possível transitar por um evento como esse e achar tudo normal. Não é. O normal não me transmite boa coisa. Normal vem de norma, de coisa padrão. Nada naquele festival é normal. Tudo é mesmo muito diferente. Os sotaques, as roupas, as ideias compartilhadas. Mas os participantes não são assim tão imunes ao mundo real. Existe um tanto de vaidade em exibir o último modelo de câmera ou, para os mais "cult" os modelos mais antigos em funcionamento. E tem exposição na praça, impressão em madeira, artistas tentando se tornar conhecidos, ou apenas compartilhar sua arte. Tem loja de livros, palestras e atividades ao ar livre. Pelas ladeiras da velha cidade sobem e descem, sem pressa, os protagonistas da festa. E não se furtam, em sua caminhada, de parar para clicar os mais belos cenários. Momentos de conhecimento, de alegria e partilha. Foi o que vivi nesse último final de semana. 
Em um dos estados mais generosos desse nosso país, estar em Minas Gerais é sempre motivo de confraternização e resgate dos costumes mais genuínos do nosso povo. Os sorrisos são constantes, as conversas carregadas de regionalismo, os melhores encontros são em torno da boa mesa. Tudo isso se encontra por lá. E desta vez, como que inacreditável após tantas visitas, ainda tive oportunidade de conhecer dois lugares muito especiais que recomendo: Um é a "Pizzaria Seu Barthô". Fica pertinho do chafariz e é bem fácil de achar. A pizza de lá é divina e o atendimento tem o jeitinho mineiro de ser, embora seja uma pizzaria à moda paulista. E o outro lugar é o "Tragaluz Restaurante Casa". Mas esse, de gastronomia fina, exige que se faça reserva. Não por uma regra local, mas porque frequentemente há fila na porta. O lugar é um convite ao bem viver. Desde a decoração, de mobiliário rústico e visivelmente antigo, até a mistura de penumbra e nostalgia, com profissionais bem treinados e totalmente antenados com as tendências. Alguns usam "piercings" e tatuagens. O cardápio é uma atração a parte! Feito em forma de cordel e todo manuscrito mistura pratos, histórias e recadinhos deixados por gente famosa que andou por la. Terá que desembolsar um pouco mais de dinheiro, mas vale cada centavo gasto. Estando lá sugiro o risoto de arroz negro com surubim defumado e abobrinha italiana. Espetacular. E nós mulheres ainda recebemos um "mimo" na saída. Um alfinete com a pomba do Espírito Santo. Fofo!

Bem, comecei falando de uma coisa e terminei falando de outra, como é o meu perfil! Tudo bem, a vida é uma mistura de coisas mesmo. E se elas forem tão deliciosas quanto foi o meu fim de semana, não tem o que dizer...

Impecável!

Até mais.

sábado, 22 de março de 2014

Inveja branca. Branca?

Admiração e inveja. Há uma linha tênue entre elas. Normalmente classificamos o invejoso como uma pessoa da pior espécie por ter um sentimento da pior espécie. Mas a verdade é que ninguém inveja aquilo que não admira. Portanto, há em todo invejoso algum sentimento bom. Diria até que esta é uma admiração que foi pro lado errado. 
Não me considero uma pessoa muito invejosa. E nem digo isso para fugir do julgamento. Digo porque talvez me contente com o que tenho. Ou quase!
Admiro muitas coisas e pessoas por aí. Nem sempre falo, mas com frequência me pego observando as cenas da vida. Atualmente, porém, tenho sentido inveja. Não me envergonho de dizer. E a minha inveja é tão boba que causa espanto a mim mesma. Boba porque não se trata de algo que eu não possa ter. Boba porque só depende de mim. Boba porque foi meu problema a vida inteira.
Tenho sentido inveja de quem consegue fazer o que se propõe. Inveja de quem não tem preguiça, de quem se sacrifica por bons resultados e pode, no fim, comemorá-los. Estou sentindo inveja de quem tem força de vontade independente daquilo o puxa para baixo. Por que será que eu não consigo fazer as coisas acontecerem para mim? Sempre fui desse jeito. Se há outras pessoas envolvidas sou extremamente comprometida. Mas se é só comigo, se não devo satisfação a ninguém, eu esmoreço. E era assim na escola, é assim na academia ou na dieta, é assim com dinheiro. Sou incapaz de desmarcar um encontro com amigas, a menos que algo realmente tenha acontecido. Não falto ao trabalho. Exerço minha função, entrego documentos que me são pedidos, mas se o assunto em questão só diz respeito a mim, se apenas eu vou me prejudicar caso não dê certo, eu deixo para lá. Por que eu me julgo menos importante para mim mesma do que considero os outros? Autoestima? Amor próprio? Não sei. O que sei é que sinto inveja dos disciplinados. Daqueles que se mantêm firmes. Não sou firme. Desisto. E depois sofro com isso. Não devia ser assim. Se eu simplesmente não ligasse isso não seria um problema para mim, mas eu ligo.
Sou desapegada das coisas, o que é interessante se você sofre quando estraga ou perde alguma coisa. Também não sou competitiva. Pelo menos não ao extremo. Mas se pensar no lado negativo do desapego acabo desvalorizando demais aquilo que necessita da minha mudança de comportamento para acontecer. Decido que não é importante e mudo o rumo. Simples assim. Mas aí, quando vejo que o outro persistiu e foi além sinto inveja. Sei que não sou a única. Assim como não acredito que alguma inveja pode ser branca ou rosa. Inveja é inveja e ponto. É um sentimento de impotência diante do sucesso alheio. Não importa qual sucesso seja.
Por isso quero ser menos preguiçosa, dar mais importância ao que é só meu, ter mais atitude e menos desculpas. Quero não desistir na primeira por achar que não vale a pena ir além. Sei que preciso de ajuda. Preciso de vigilância e incentivo pelo menos para começar... e para terminar também!
Alguém se habilita?

Até o fim do caminho...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Montanha Russa

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras."
Poucas coisas são tão verdadeiras quanto a oração da serenidade. Ela está presente em diversos lugares  e serve para nos lembrar que é necessário compreender que as coisas acontecem a despeito da nossa vontade. Ela é sábia porque a partir do momento que aprendemos a conviver com as adversidades sem nos entregar a elas, tornamos a nossa vida infinitamente mais fácil. Há coisas nas quais podemos interferir. Há coisas que dependem exclusivamente da nossa espera. Identificá-las não é fácil, mas uma vez que conseguimos, a situação toma outro rumo. A angústia, porém, parece ser o sentimento mais evidente nessas horas. Tanto para agir quanto para esperar, é angustiante atravessar uma "tempestade".
Quando nos permitimos parar e apenas contemplar os mandos e desmandos da vida, conseguimos canalizar nossa energia para outras coisas. Não é fácil ver a própria vida através de uma tela sem poder interferir nela. Não é fácil também tomar atitudes que causam medo, insegurança, incerteza. Em um caso ou em outro, a sugestão é simplesmente deixar acontecer.
Viver um dia de cada vez é a atitude mais acertada. É um absurdo nos deixarmos levar por coisas se só acontecerão muito depois do "agora" porque o "agora" é tudo que temos.
Manter o foco em coisas que podemos interferir é a melhor forma de levar essa vidinha louca com a qual fomos presenteados. É como uma montanha russa. A adrenalina é constante, o ritmo alucinante que rege os nossos dias vai acabando pouco a pouco com o nosso organismo. Nunca se viu tantas pessoas jovens sofrendo com problemas que só apareciam com o avanço da idade. Ainda sobre os trilhos vamos tentando descobrir o que virá depois da curva, como se fosse possível viver antecipadamente para escolher a melhor decisão a tomar. Ascensão e queda estão presentes o tempo todo. E, assim como no brinquedo radical, quanto mais surpreendidos, maior o susto. É sempre desse jeito. Quando a vida entra em uma reta e nos acostumamos com ela, logo vem um solavanco para nos sacudir. E aí entramos em um "looping" que da mesma forma que na montanha russa, parece nunca ter fim. Quando ele passa temos a sensação de que supervalorizamos o que aconteceu já que, depois de tudo, sobrevivemos.
De uma forma ou de outra o que fazemos entre uma curva e outra é que dá sentido à vida. No carrinho vamos colocando e retirando pessoas que conhecemos, que perdemos contato, que decidimos não mais ficar perto. O que vale é a viagem. O fim, ninguém quer, mas uma hora ele chega. Enquanto isso, vamos curtindo. Braços para o alto, gritos, risadas e uma pausa para relaxar.
De qualquer modo, vale a pena cada minuto.

Boa viagem!

Até a próxima.

sábado, 8 de março de 2014

Manual de bem-viver!

Aposto que o que te atraiu a ler este texto foi o nome "manual". Com a nossa (cada vez maior!) vontade de não ter que pensar, ter um manual que nos indique exatamente o que fazer é tudo o que queremos. Entretanto, seguidamente ao título, o primeiro parágrafo é aquele que vende o texto. E nele que você decide se vai ou não continuar lendo.
...
Ainda está aí? Então vamos ao que interessa porque isso não é uma pegadinha!
1 - Acorde cedo com frequência. Mais cedo do que você consideraria bom. Assim você terá mais tempo e
a agradável sensação de que seu dia está rendendo. Isso causa bem-estar.
2 - Acorde tarde uma vez ou outra. Tão importante quanto fazer o tempo render  é deixar simplesmente ele passar livre e despretensioso. Não temos que ser produtivos sempre!
3 - Coma coisas saudáveis a maior parte do tempo. De vez em quando se entregue ao prazer de um bom brigadeiro, pizza ou refrigerante (ou tudo junto!). Seu organismo não vai ter um colapso por conta de uns excessos eventuais.
4 - Aproxime-se de pessoas que te fazem bem, que torcem pela sua felicidade. Amigos não são só aqueles que te amparam na dor, mas o que comemoram a sua alegria.
5 - Afaste-se de todos que te colocam para baixo. Seja no trabalho, no clube, na internet. Nós não precisamos de gente negativa. Já chega todo tipo de problemas pelos quais temos que passar na vida. Pode parecer "piegas" mas é verdade. Gente colorida é muito mais interessante!
6 - Fuja de discussões inúteis. Você não vai convencer o outro a mudar e, dependendo do assunto, vai sentir seu coração bater mais rápido, um calor incômodo percorrer seu corpo e isso não pode fazer bem!
7 - Acredite em Deus. Ou em Buda, Maomé, Anjos, Santos ou Orixás! Dá um enorme conforto entregar
seus problemas a quem pode realmente resolver. Frequente grupos que falem sobre o assunto, como cultos, missas, reuniões.
8 - Tenha contato com crianças e entre no faz-de-conta delas. Sair momentaneamente da dura realidade do dia-a-dia faz um bem terrível!
9 - Veja e leia menos jornal. Cerca de 90% das tragédias e histórias absurdas que você toma ciência não alteram em nada a sua vida. Uma certa alienação voluntária é necessária para acordarmos esperançosos todos os dias. Os jornais matam a nossa capacidade de acreditar em dias melhores!
10 - Faça uma atividade física. Dê preferência a alguma que seja prazerosa. Caso contrário abandonará na primeira oportunidade.
11 - Comprometa-se. Vale qualquer coisa! Uma dieta, um orfanato ou asilo, uma família que precisa de ajuda, um amigo ou uma causa.
12 - Aprofunde-se nas coisas. Envolva-se sem medo de se arrepender. A superficialidade com que vivemos hoje em dia é espantosa.
13 - Encontre-se periodicamente com amigos. Eles nos fazem rir, resgatam quem nós éramos em outras épocas e são implacáveis ao lembrar dos nossos momentos mais "podres". Isso rende boas histórias.
14 - Chore mais e ria mais. Conte histórias, teste sua memória. Relembre fatos agradáveis e sinta novamente as sensações que experimentou naqueles momentos.
15 - Veja fotografias. Tente se lembrar de todas as pessoas e lugares que aparecem nelas. Compartilhe suas sensações.
16 - Ouça com atenção. Desabafe sempre que necessário. Troque informações.
17 - Viva intensamente. Esteja aqui e agora. Aproveite cada minuto. O que for bom, guarde.
18 - Descarte o que você não usar mais. Dê o destino adequado para cada coisa. Jogue fora objetos quebrados, velhos, sem utilidade, sentimentos ruins, lembranças tristes. Doe tudo que puder ser aproveitado por outras pessoas.
19 - Dance e cante. Não importa de que maneira e para qual plateia. Apenas sinta a música e se manifeste.
20 - Saia. Veja a vida do lado de fora. Após ler isso combine um passeio legal, uma voltinha na rua, qualquer coisa que te faça feliz...

... Inspire-se!

Até a próxima.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Esse ano não vai ser igual...

Recomeços são bem-vindos e necessários. Pequenos, grandes, espontâneos ou obrigatórios eles são inerentes à nossa condição. É possível obrigar alguém a recomeçar? Talvez sim, talvez não. Acredito que, assim como para qualquer outra coisa, seja necessária uma motivação para o recomeço e, relembrando as aulas de Psicologia, motivação é um processo interno. Não é possível motivar o outro, é possível estimular. Motivar é de cada um e depende muito mais do que está dentro do que daquilo que vem de fora. Entretanto quando se trata do calendário e o término de um feriadão, somos obrigados a voltar à ativa, ainda que nosso corpo e nossa mente não colaborem para isso. Devemos ir mesmo que não estejamos preparados, pois o cotidiano nos colocará novamente no prumo.
Recomeços são oportunidades para se conhecer novamente. Testar limites, fazer diferente da vez (ou das vezes!) anterior. Se antes você se queixava com frequência das tarefas compulsórias, tente fazê-las sem reclamar, pois parecerão menos difíceis. Lembre-se que há coisas que não têm jeito!
Estamos inaugurando um novo começo. No país do carnaval dizem que o ano só começa depois dele. Escuto isso há tempos, mas penso que a realidade mudou e ninguém se deu conta! Houve um tempo em que o ano letivo começava em março, agora há escolas que iniciam no fim de janeiro se este coincidir com uma segunda-feira. As lojas não fecham mais, feriados são apenas para algumas classes profissionais, mas tudo o que eu escuto é que precisamos de mais trabalho! Trabalhar mais? Já não somos suficientemente atribulados? Os que não querem nada, não vão querer mesmo se tivermos menos feriados. Quem quer estuda no feriado, trabalha em casa, faz as coisas acontecerem. Eu sou absolutamente a favor dos feriados e nem me envergonho disso! Faço uma porção de atividades no meu dia-a-dia, então me considero merecedora do descanso.
Neste recomeço não deixe que a volta à rotina seja sofrida mais do que o necessário. Rotinas são necessárias para o nosso bem-estar embora tenhamos a sensação contrária. Pense em como você se sentiria depois de um mês sem horários para dormir, comer ou fazer suas atividades. Certamente esgotado como se estivesse prestes a entrar de férias. Ficar a toa é legal, mas tudo que é demais também cansa. Faça a sua parte para sentir-se digno de aproveitar o ócio. E quando ele chegar não se culpe ou fique arrumando coisas produtivas para fazer. Entregue-se apenas! Tire o relógio do pulso, a dieta da porta da geladeira, a lista de afazeres urgentes da sua cabeça. Seja livre. Depois o descanso acaba e você tira o atraso. Vá até o fundo e encontre impulso para subir. Se ficamos sempre na superfície, com uma atenção desfocada, um ter-que-fazer permanente, uma necessidade de contribuir para a nação, nem bem conseguimos concluir as tarefas satisfatoriamente, nem bem descansamos. Faça cada coisa a seu tempo. A natureza nos ensina a ser assim e fazemos questão de não aprender. Há a hora de plantar, de crescer, de colher, de replantar. Nós só queremos colher. Só não atentamos para o fato de estarmos colhendo stress, angústia, tristeza e cansaço. Chega! Que possamos recomeçar depois de um profundo "far niente". E se o feriado passou e você não aproveitou como devia, programe-se para o próximo... logo, logo ele estará aí!

Bom recomeço...

Até!